Ana Guimarães e Beatriz Rigatto, nossas jovens monitoras, contam um pouco sobre essa oportunidade única.

O Programa Jovem Monitor/a Cultural possibilita atuação em diversos equipamentos culturais na cidade de São Paulo, incluindo o Arquivo Histórico Municipal, onde atuam Beatriz Rigatto e Ana Aparecida Santos Guimarães, jovens monitoras. Desde outubro de 2019, as jovens conheceram o espaço, a história do prédio, que se conecta à área de estudo de Ana, a arquitetura, e também suas novas funções. Elas estão sempre atuando, por exemplo ao auxiliar o setor educativo do equipamento na organização de uma oficina e livreto de intervenção sobre Protagonismo Negro na História da Cidade de São Paulo para o dia da Consciência Negra, usando dados do Arquivo para criar o conteúdo. 

Atualmente, ambas estão focadas na exposição dos 85 anos do Departamento de Cultura. Será uma maneira de compreender o momento em que foi criado e a figura do gestor e poeta Mário de Andrade, fascinante para Beatriz que estuda Letras. “Entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020, nossa rotina de atuação foi marcada por consultas constantes ao Acervo Permanente, organização dos documentos, disposição e elaboração dos painéis expositivos” narra Beatriz sobre o que elas vem fazendo no Arquivo durante o pré-exposição.

Leia aqui a entrevista que fizemos com as duas!

PJMC: Como vocês acreditam que a formação no Arquivo se diferencia das formações em outros equipamentos culturais públicos, como bibliotecas ou centros culturais?

O Arquivo exerce uma função de preservar e disseminar o valor histórico-cultural de São Paulo

Ana Guimarães, jovem monitor cultural

BEATRIZ: Acredito que a principal diferença entre o Arquivo e os outros equipamentos é a maneira de falar sobre uma cultura que acolhe e impacta a vida das pessoas, enquanto jovem monitor cultural. Ao tratarmos do Arquivo, o modo de criação sempre será a partir da fonte documental primária, diferente da liberdade criativa em outros equipamentos culturais.

ANA: No Arquivo atuamos com documentos históricos e burocráticos da prefeitura. Temos em nosso acervo a Ata da Câmara de Santo André, de 22 de julho de 1555, o documento mais antigo da América Latina. O Arquivo exerce uma função de preservar e disseminar o valor histórico-cultural de São Paulo. 

PJMC: Qual é a parte favorita de cada uma de vocês dessa formação?

B: Ao iniciarmos no Arquivo Histórico fomos apresentadas aos diferentes setores e atuamos diretamente com o Educativo e o de Pesquisa e Difusão. Ambos são espaços interessantes que lidam com a difusão de conhecimento através de visitas mediadas, exposições, publicações de informativos, etc.

A: O que mais gosto nas formações é a possibilidade de fazer com que as pesquisas sejam transcritas em linguagens acessíveis a todos, podendo assim alcançar pessoas de diferentes classes sociais ou idades. 

PJMC: Durante a organização das atividades do dia da Consciência Negra, qual foi a responsabilidade de cada uma? Como vocês trabalham coletivamente no Arquivo e como dividem as tarefas?

“Todos os nossos trabalhos são executados coletivamente”

Ana Guimarães

B: Para as atividades do dia da Consciência Negra, atuei na realização de pesquisas bibliográfica, confecção manual do “Livrinho de Intervenção” e durante a visita mediada participei apenas como ouvinte.

A: Todos os nossos trabalhos são executados coletivamente. Pesquisas, leituras e discussões são a base para desenvolver qualquer atividade, itens que não podemos fazer separadamente. No desenvolvimento dos materiais que produzimos sempre me dispus a realizar o trabalho mais artístico enquanto a Beatriz fica responsável pela elaboração dos textos. 

PJMC: Qual é a rotina de uma Jovem Monitora que trabalha nesse equipamento?

B: A rotina de Jovem Monitora Cultural, no Arquivo, é marcada por uma atividade teórica, de pesquisa bibliográfica e fonte documental primária, com a finalidade de difusão do Acervo Documental e da História do Arquivo Municipal.

A: Como Jovem Monitora, nossa rotina é marcada por constantes leituras e desenvolvimento de pesquisas que relacionem documentos do Acervo Primário com o Acervo Bibliográfico do Arquivo. 

PJMC: O que vocês descobriram sobre o Departamento de Cultura que não sabiam antes ou que acharam ser muito interessante?

“[…] busca de uma identidade nacional através do projeto da Missão de Pesquisas Folclóricas”

Beatriz Rigatto, jovem monitora cultural

B: Ao ser apresentada ao tema e ao projeto da exposição, a própria existência do Departamento de Cultura, em 1935, foi uma revelação para mim. O mais interessante, na minha percepção, é a preocupação de Mário de Andrade na busca de uma identidade nacional através do projeto da Missão de Pesquisas Folclóricas.

A: Durante o processo de pesquisa descobrimos como se formou o Departamento de Cultura. Aprendemos sobre as linhas de pensamentos que foram abordadas na ideia de sua criação, quais as principais figuras por trás e quais as mudanças ao longo do tempo. 

PJMC: Beatriz, ter acesso ao arquivo de um departamento que fez parte da história de Mário de Andrade, um dos escritores mais fundamentais do Brasil, fez você se fascinar ainda mais por ele como figura? 

“[…] ampliar minha visão sobre a possibilidade de ser artista e fazer política”

Beatriz Rigatto

B: Como estudante de Letras o que me fascina é essa relação entre os fatos históricos e a Literatura na construção de um imaginário coletivo. Mário de Andrade pensa literatura como uma forma de subverter a herança de uma linguagem colonial. Vê-lo como um gestor público que pensa em ampliar a educação no Brasil, com Biblioteca Circulante, Parques Infantis, Pesquisas Folclóricas e Revista do Arquivo Municipal foi uma descoberta enriquecedora para ampliar minha visão sobre a possibilidade de ser artista e fazer política.

PJMC: Ana, ter acesso ao Acervo foi uma experiência que adicionou mais conhecimentos a sua formação como arquiteta?

A: Como estudante de Arquitetura e Urbanismo, meu foco principal é na questão da Cidade para pessoas, no impacto que a urbanização proporciona aos moradores e na arquitetura pensada como políticas públicas. Sendo assim, o Acervo Bibliográfico é um paraíso com leituras que não só auxiliam a minha formação como arquiteta, mas também na formação de uma futura cidade mais humana para todos.

(24/03/2020)

Como é atuar no Arquivo Histórico Municipal De São Paulo?
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