Jovem monitora da Região Centro-Leste, Cintia Potapczuk, conecta sua poesia com a presença online da Biblioteca Affonso Taunay durante a pandemia

Criatividade e inovação nas ações de seus equipamentos são aspectos que muitos/as de nossas/os jovens trazem às suas atuações, também que motivam seus projetos de formação, é o caso de Cintia Potapczuk, jovem monitora cultural da Região Centro-Leste, e de seu projeto “Notoriedade Poética” não é exceção. 

Cintia Potapczuk – jovem e poeta da região Centro-Leste

Assim que a pandemia de COVID-19 se agravou e os espaços culturais da cidade de São Paulo foram temporariamente fechados, ela viu sua atuação se movendo para o espaço da internet. Cintia devia alimentar as redes sociais da biblioteca com resenhas e indicações de livros do acervo da Biblioteca Affonso Taunay. No começo não teve dificuldades em seguir com as atividades nas redes sociais, porém, com o tempo, a jovem começou a pensar “não estou realmente fazendo aquilo que eu faço de melhor”. Dessa inquietação nasceu o “Notoriedade Poética”, o qual ela descreveu como: “é algo autoral meu, não vai ser encontrado na biblioteca e em nenhum outro lugar”.

Se propondo a escrever uma poesia diária e desenvolver uma arte para ela, o projeto de Cintia foi aprovado por Meire Bassi, sua gestora, e iniciado no mês de maio. A intenção da jovem foi criar um conteúdo diversificado e interativo, para que essa variedade e criatividade trouxessem mais público para a página da biblioteca – lição que ela aprendeu sendo criadora de conteúdo para a seção geek do site CBG News, Confederação Brasileira de Games. “Já escrevo diariamente” narra, “o Notoriedade é um momento em que eu me inspiro em algum aspecto do meu dia e, com ele, crio essa poesia, que deve ser uma leitura fácil, direta e acima de tudo: diferente todo dia”. A adversidade que ela está enfrentando agora é encontrar um estilo específico para seu projeto, e ela encara esse obstáculo escrevendo até mesmo nos seus dias ruins: “Mas nesses dias estou me desafiando, escrevendo mesmo quando estou confusa ou mal”.

Mesmo que a jovem tenha uma prática de escrita constante, o “Notoriedade Poética” é diferente do que ela está acostumada a escrever, seja nos temas ou até mesmo na forma. Os poemas que são postados são mais curtos e não tocam em assuntos tão profundos quanto seus outros trabalhos, segundo Cintia. Tirando inspiração de músicas que ouviu durante o dia, de acontecimentos específicos e até mesmo do dia de outras pessoas, a jovem monitora escreve textos com mais realismo e também mais diretos – “é um momento de introspecção de cinco minutos enquanto eu escrevo essa poesia – também um meio de exercitar minha escrita e tratar de minha espiral interna durante esse isolamento em casa”.

“Tinha sido um beijo / Um poema lido / Um simples floral da minha libido / Exalando em corredores nunca vistos” – Texto e imagem: Cintia Potapczuk

A jovem Cintia já realizara outras ações no equipamento que contribuíram para o projeto atual – como o projeto que tinha de modo a atrair público à Affonso Taunay, anteriormente à pandemia. O Cineleitura, seu antigo projeto, era presencial e consistia em encontrar, no acervo, livros que tinham adaptações cinematográficas para que esses filmes fossem exibidos na biblioteca – mensalmente, segundo o tema que Cintia tinha escolhido para aquele mês. Por exemplo, para Junho, Cintia planejava passar “O Auto da Compadecida”, obra nordestina, dentro da temática “Festa Junina”, que a jovem havia escolhido para o mês – comemoração de origem nordestina. 

Além do “Cineleitura”, a jovem também já estava com um plano de unir seu lado escritora e poeta com o PJMC, em uma oficina de escrita criativa, na qual ela compartilharia de seus conhecimentos sobre o tema e também sobre o mercado editorial. Os dois projetos de Cintia também contavam com outro objetivo: entreter as pessoas que já frequentavam a biblioteca, em especial o público de extrema vulnerabilidade. Ela queria criar um espaço para os moradores dos dois abrigos em volta da Affonso Taunay no qual eles pudessem se divertir durante o dia, momento em que eles não podem estar no abrigo. 

Esse seu desejo de conectar sua veia poética com sua atuação como jovem monitora cultural, devido ao isolamento social condicionado pela pandemia de COVID-19, se transformou no Notoriedade Poética. O projeto proporciona um espaço em que Cintia pode exercer sua atividade, onde se sente mais à vontade, e também inspirar sentimentos nos seus leitores. A poesia, como linguagem artística que permite inúmeras interpretações, é justamente o que a jovem deseja para o público da biblioteca – dá-los um momento de ler, interpretar e sentir. Cintia resume a sua missão e de seu projeto, Notoriedade Poética, em um desejo:  “Como estamos isolados, espero que uma de minhas poesias faça as pessoas sentirem-se melhores no meio do caos que está o mundo”.

“Eu quero que as pessoas não apenas leiam minha poesia, eu quero que elas a sintam”
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