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Jovem monitor utiliza jogos de tabuleiro para atrair público na Biblioteca Álvaro Guerra

Felipe Augusto, da região Centro-Oeste, desejava trazer mais pessoas para o equipamento e decidiu usar seus jogos para isso.

O jovem monitor Felipe Augusto é apaixonado pela cultura de jogos de tabuleiro
O jovem monitor Felipe Augusto é apaixonado pela cultura de jogos de tabuleiro

Pode até parecer ousado, mas o objetivo do jovem monitor cultural Felipe Augusto é transformar uma sala, na Biblioteca Álvaro Guerra, em uma ludoteca, ou seja, um espaço destinado para jogos de tabuleiro. O jovem da região Centro-Oeste desenvolve esse projeto semanalmente e o intuito vai além de ensinar as pessoas a jogarem, mas também criar um ambiente em que elas possam se divertir, ampliando o interesse do público, para que possam aproveitar tudo que o espaço têm a oferecer. Desde a sua primeira participação no Programa em 2017, Felipe alimentava esse plano, mas sua atuação se deu em um dos departamentos da SMC o que adiou temporariamente sua ideia.

Hoje, o projeto começa a sair do papel e já está ganhando vida. Felipe começou a organizar todas as terças-feiras, das 10h às 15h, encontros com o público da biblioteca, em que leva seus próprios jogos e aproveita esse tempo para ensinar quem tiver interesse. Nesses encontros as/os frequentadoras/es também levam seus próprios jogos e isso tem gerado trocas e conexões entre pessoas que frequentavam a biblioteca e não se conheciam.

Os jogos de Felipe Augusto são os protagonistas de seu projeto
Os jogos de Felipe Augusto são os protagonistas de seu projeto

Uma das etapas do projeto que está engajando o público é a introdução, de terça a sexta, do ensino de xadrez e damas com dois tabuleiros que já existiam lá. 

A ideia do Felipe foi impulsionada pela gestora, Maria Angélica, que pediu aos jovens que atuam na biblioteca que criassem um projeto para ampliar o uso do equipamento pela população. E desde a implantação das atividades é possível notar um aumento nessa circulação. Felipe ressalta que “Ela poderia ser um novo marco nessa cultura de jogos de tabuleiro”.

O jovem, além de atuar no Programa, trabalha na empresa de monitoria de jogos de tabuleiro “A Tenda de Jogos” há quatro anos e foi lá que explorou ainda mais seu gosto por esse tipo de entretenimento, inclusive aumentando seus conhecimentos. Foi dessa forma que ele percebeu o potencial que os jogos tinham de atrair pessoas e também de fazer o público que já frequentava a biblioteca interagir ainda mais com o equipamento.

Seus jogos farão parte do Pinheiros Geek Day, organizado pelo jovem monitor cultural Augusto, no dia 25 de janeiro, que vai ser centrado em volta da Cultura de Animes e Geek. A programação vai ocorrer na Biblioteca Álvaro Guerra mesmo e Felipe acredita que, nesse momento, a divulgação será ainda mais eficaz, pois estão aguardando uma circulação maior de público e ele terá condições de avaliar o impacto que o projeto da ludoteca pode ter no equipamento. Dependendo de como for o evento, ele planeja expandir para encontros mensais com a ajuda de parceiros. 

matéria Ingrid site
Jovem Monitora Cultural Ingrid Menezes cria projeto de Contação de Histórias

Ingrid Menezes, Jovem Monitora Cultural (JMC) Ingressante da região Centro-Oeste, narra seu projeto na Biblioteca Alceu Amoroso Lima

Ingrid Menezes na Biblioteca Alceu Amoroso Lima
Ingrid Menezes na Biblioteca Alceu Amoroso Lima

Ingrid desenvolveu “Contação de Histórias na Alceu” na sua formação do PJMC com o público do equipamento em que atua, Biblioteca Alceu Amoroso. O projeto gira em torno da leitura e contos infantis de forma a envolver outros jovens monitores com o público participante dos encontros, por exemplo, na criação de uma história de terror em grupo com base no conto popular “Campo Santo”. As suas atividades compõem-se de sessões de leitura que ocorrem de uma a duas vezes por mês com temáticas conectadas às datas relevantes e por isso diferentes entre cada uma. Ela, junto com seus colegas Monitores Isabela Mohana e Rafael Silva, estão agora implementando essa sua ideia.

A Jovem Monitora também comenta sobre como o PJMC foi o lugar ideal para a execução da contação de histórias: “O Programa Jovem Monitor/a Cultural oferece um local onde o jovem tem a oportunidade de experimentar as suas habilidades e de colocar suas idéias em prática dentro de equipamentos públicos que possuem uma boa rotatividade de pessoas”. 

“Ao iniciar no equipamento percebi a atuação do público infantil trazido pelas educadoras do CCA SÃO PAULO DA CRUZ.” e isso foi o que inspirou o projeto de Ingrid, e, para ela, a Biblioteca Alceu Amoroso Lima foi o lugar ideal para iniciá-lo, e também para educar os leitores que andam por lá: “Acredito que a biblioteca seja um espaço para todos e se, desde pequenas, as crianças forem estimuladas e ler, investigar, conhecer e criar dramaturgias formaremos uma sociedade mais desenvolvida, crítica e justa”. 

Os encontros abordam temas como racismo, inclusão, acessibilidade e diversidade, assuntos importantes para serem discutidos, e a partir deles os frequentadores aprendem a se expressar de inúmeras formas, proporcionando a troca de experiência nesse ambiente criado por ela. Ingrid espera que as crianças levem o que aprenderam para a sua volta, de forma a desenvolverem sua autonomia e o seu empoderamento. Além disso, os aprendizados também viram material para quem retorna as outras atividades: “a cada encontro um tema é abordado e isso vira material para as crianças pesquisarem a sua volta e trazer outras histórias sobre o assunto do próximo encontro”.

Os temas e as atividades são todos propostos por Ingrid Menezes, com o acompanhamento da gestora responsável pela biblioteca. A Jovem Monitora desenvolve as suas atividades observando onde atua, ou seja, observando o que a biblioteca e seus visitantes precisam ou desejam fazer. Ela tem contato direto com o público por gerir todos os encontros pessoalmente, o que contribui em seu desenvolvimento pessoal e também amplia seus conhecimentos na área de gestão cultural. 

Essa proximidade fez com que ela experienciasse de perto o impacto do seu projeto, que acabou atendendo 200 pessoas, sendo elas crianças e jovens. Os momentos que a marcaram também foram diversos: um exemplo deles é quando adolescentes do camping CCA São Paulo da Cruz fizeram uma visita espontânea, no encontro de novembro sobre o Dia da Consciência Negra, depois de conhecerem a Contação de Histórias na Alceu pelas redes sociais. “Todos participaram e se entrosaram durante a mediação de leitura. Isso me fez perceber que o projeto tem a potência  de ter continuidade assídua durante a minha formação prática como jovem monitora do PJMC” conta ela mesma, sobre o resultado positivo que ela percebeu sobre esses encontros.

“O projeto continua. Uma a duas vezes por mês teremos a contação de histórias junto com a mediação de leitura Ingrid planeja continuar oferecendo um lugar para as pessoas contribuírem com suas próprias histórias e aprenderem com seu projeto e suas atividades. 

“Estar dentro de um equipamento público é poder conhecer todas as possibilidades dele, é diferente de você ter um projeto e oferecê-lo. Atuando na formação é possível, conhecer o público, entender a necessidade de cada núcleo e aplicar cada projeto com mais intimidade com quem vai recebê-lo e executá-lo”.

Formação Cultural com um olhar humanizado

Além da formação teórica, vivência prática permite o desenvolvimento como cidadão

O Programa Jovem Monitor/a Cultural (PJMC) é um programa de formação e experimentação profissional em gestão cultural para as juventudes. E em um equipamento cultural, as equipes se deparam com diversas atividades, que vão desde a realização de eventos, o atendimento ao público, toda a parte burocrática, entre outras atividades, inclusive algumas situações bastante inusitadas.

Uma dessas situações aconteceu recentemente na Biblioteca Pública Pedro Nava, quando um dos frequentadores do espaço teve um mal-estar e sofreu uma convulsão. Para a sorte de todos, a jovem monitora Ingrid Santos da Silva estava atenta e pôde oferecer os primeiros socorros.

Jovem Monitora Ingrid Santos
Jovem Monitora Ingrid Santos

“Meu relacionamento com a gestora e as demais pessoas da biblioteca contribui bastante para me sentir confortável em tomar a frente das coisas, como por exemplo, pude prestar atendimento de primeiros socorros a um frequentador da biblioteca, que teve uma convulsão”, relata.

Thaís da Silva Farias, gestora da Biblioteca Pública Pedro Nava, acredita que vivenciar experiências de aprendizado mútuo com a jovem monitora Ingrid, acentua o seu sentido de auxiliar, ajudar pessoas. Entende que  o Programa Jovem Monitor Cultural contribui  trazendo possibilidades para toda a equipe, se estimular com a energia, e alegria que esta juventude oferece, além de novas ideias para a execução  das atividades culturais no equipamento trazendo um novo e ampliando olhar, para as(os) servidoras(res) do equipamento público.

Thaís da Silva Farias, gestora da Biblioteca Pública Pedro Nava
Thaís da Silva Farias, gestora da Biblioteca Pública Pedro Nava

“E o processo de formação prática traz acesso e conhecimento para os(as) jovens monitores(ras) de como funciona um equipamento público cultural para a realização de eventos, encontrando satisfação em cada resultado adquirido, sentindo-se gratificados pela atuação realizada”, afirma a gestora.

A jovem Ingrid acredita que sua atuação na Biblioteca a faz se sentir mais segura para desenvolver qualquer atividade, mesmo considerando-se uma pessoa bastante tímida. “Me sinto mais madura e viva, com um olhar mais humanizado como cidadã”, conclui.

Para a coordenadora do Programa Jovem Monitor Cultural, pelo CIEDS, Liduína Lins, a formação cidadã constitui um diferencial na composição formativa. “A maneira de compô-la considera os saberes das juventudes, as redes de relação que os equipamentos de cultura constituem no território, desde a relação com público, singular e coletiva (comunidade, moradores do bairro), até a possibilidade de alteração do cotidiano do lugar”, afirma Liduína.

Por Rafael Biazão

Programa Jovem Monitor Cultural na Comic Con
Jovens Monitores organizam livros arrecadados na Comic Con
Jovens Monitores organizam livros arrecadados na Comic Con

Em 2017, o Programa Jovem Monitor Cultura (PJMC) esteve presente na Comic Con Experience, considerada uma das maiores feiras de cultura pop da América Latina. Em uma inédita parceria, o PJMC conseguiu levar parte de seus jovens monitores para atuarem na triagem de livros literários doados ao longo dos quatro dias do evento, realizado no São Paulo Expo, na Zona Sul da capital paulista, entre os dias 7 e 10 de dezembro.

Todos os livros selecionados pelos jovens foram distribuídos para as bibliotecas públicas do município de São Paulo. A jovem monitora Keila dos Santos, que atua na Biblioteca Mario de Andrade, foi uma das representantes do PJMC. Além de considerar sua participação na feira como inovadora, Keila confia que os livros doados suprirão a demanda do público jovem. “A maioria dos livros que chegaram aqui são os mais buscados, principalmente pelos adolescentes e jovens. Achei muito importante essa participação em pró da comunidade”, descreveu.

Outra participante foi Cibele Bezerra, que atua na Biblioteca Pública Municipal Prefeito Prestes Maia. Para ela, a principal motivação no trabalho foi fazer parte de um evento da magnitude da Comic Con Experience. “Minha expectativa é de conhecer um pouco a dinâmica da produção de uma feira tão grande como essa. Ter um pouco mais de noção dos bastidores. Acho que será bastante formativo para mim”, disse ela instantes antes de iniciar os trabalhos.

A Camila dos Santos, da Biblioteca Milton Santos, acredita que as doações foram de grande valia. “Na biblioteca tem muita gente que chega falando que procurou determinado livro em outras bibliotecas e não encontrou. Muitas vezes as pessoas precisam se deslocar para regiões distantes para encontrar determinado livro”, declara.

A Comic Con Experience de 2017 teve como principais atrações os atores Will Smith, divulgado o seu novo filme “Bright”; Alicia Vilkander, vencedora do Oscar e estrela do novo “Tomb Raider: A Origem”; e Nikolaj Coster-Waldau, da série “Game of Thrones”. Segunda a organização, mais de 200 mil pessoas passaram pelo evento nos quatro dias.

A participação dos jovens na Comic Con está alinhada com a proposta do Programa Jovem Monitor Cultural, que visa oferecer formação e experimentação profissional em gestão cultural para as juventudes. Além disso, os jovens puderam ver o resultado da campanha de arrecadação de livros nas prateleiras das bibliotecas onde atuam. Mais de 8 mil livros foram arrecadados e destinados às bibliotecas públicas municipais.

Por Toni Cavalcanti e Rafael Biazão