Jovem monitora, Bruna Edilamar, desenvolveu o “Memória em Trânsito”, sua pesquisa sobre o casal de escritores Ofélia e Narbal Fontes 

A edição 2019/2020 do Programa Jovem Monitor/a Cultural abrange duas modalidades de jovens, os/as ingressantes e os/as em formação continuada. Os/as ingressantes são os/as que estão em sua primeira edição do programa, sua primeira experiência como monitor/a cultural. Enquanto isso, os/as jovens em formação continuada (FC’s) são aqueles/as que foram escolhidos para participar de mais um ano no programa – uma oportunidade que muitos/as deles/as utilizam para dar continuidade aos projetos que começaram em sua edição como ingressantes. Esse foi o caso da jovem monitora FC Bruna Edilamar, que atuou na Biblioteca Pública Narbal Fontes em sua primeira edição, com seu projeto “Memória em Trânsito”, sobre a história dos escritores Ofélia e Narbal Fontes.

A jovem Bruna Edilamar desenvolveu a pesquisa “Memória em Trânsito”

Projetado para ser uma exposição na biblioteca, o “Memória em Trânsito” nasceu como descendente do projeto que Bruna, que atua atualmente na Biblioteca Jayme Cortez, fez em 2019. Esse, tinha o propósito de intitular a Sala Juvenil do equipamento de “Sala Juvenil Ofélia Fontes”, em homenagem à escritora esposa de Narbal Fontes. A jovem, além de advogar pela mudança de nome, também fez uma intensa pesquisa sobre Ofélia, de forma a desenvolver a placa com a história dela que faz parte da sala. Foi essa pesquisa que a motivou a ir mais fundo na história do casal e então criar o “Memória em Trânsito”. 

Devido à pandemia de COVID-19 e o fechamento temporário dos equipamentos culturais, Bruna não conseguiu cumprir seu plano de fazer uma exposição. Muito interessada por esse tema, a jovem não desistiu do projeto e o transformou em um documento que conta a vida deles e a maneira como os dois impactaram a literatura brasileira – “Na escrita e através das redes, o projeto pôde ganhar mais voz e visibilidade”. Utilizou o software “Canva”, que conhecia devido a usá-lo em divulgações na biblioteca, para colocar sua pesquisa nesse formato – a ilustrando com fotos que ajudam o leitor a ver como eram Narbal e Ofélia Fontes.

O “Memória em Trânsito” tem como um dos principais propósitos manter a memória desses dois escritores viva, e apresentar essa história para pessoas que não a conheçam, familiarizando-as com essas figuras que ela tanto admira. “Penso que a função da memória na sociedade é justamente essa, de fazer com que os indivíduos sintam familiaridade a uma determinada história, pessoas, locais”, Bruna narra e exemplifica contando de um experiência que ela mesma teve com ‘memória’. A jovem participou de uma pesquisa coletiva sobre o bairro de Santana – onde inclusive se localiza a Biblioteca Narbal Fontes – e conta que conhecer mais sobre o território a fez sentir que ela pertencia lá.

A história de Ofélia e Narbal foi alvo da curiosidade e interesse de Bruna, que a moveu a fazer a pesquisa – procurando sobre os dois em todas as fontes possíveis. “Os dados foram encontrados em obras do casal, documentos encontrados nos arquivos da Biblioteca Nacional, hemeroteca e em conversa com os netos do casal”, esses últimos, chamados Charles e Fabiana, encontraram-se com a jovem e estão presentes nos agradecimentos que ela faz no fim do documento. 

Lançamento do livro “Um Reino sem Mulheres” de Ofélia Fontes em 1967 (Foto: Hemeroteca – Biblioteca Nacional)

Bruna diz que a parte mais complicada do processo de criação do documento foi a edição, a seleção de que partes da história deles iriam para o projeto final. “Pensei em colocar os pontos mais relevantes e desconhecidos até então pelo público”, a jovem explica sua lógica sobre o que foi escolhido – sempre tendo a informação e experiência do público leitor em mente – “Não foi fácil, mas inserir muitas informações cansariam o público”.

Entretanto, independente de quaisquer edições, a jovem monitora viu a necessidade que tinha de contar a história de ambos. “Achei fundamental transformar a pesquisa em um projeto e disponibilizar essas informações ao público” afirma Bruna. A história dos dois é, para a jovem, cheia de momentos que mostram “o bom coração de Narbal Fontes para com os outros” e também o interesse deles em popularizar a cultura brasileira, usando em seus livros figuras do folclore nacional, por exemplo. Também tirando inspiração da vida e personalidade do casal Fontes, Bruna narra: “O que me motiva na história do casal  é a criatividade e o cuidado que ambos tinham para lidar com o público infantil e juvenil”.

Foto de capa: Manchete de uma premiação de Ofélia em 1971 (Créditos: Hemeroteca – Biblioteca Nacional)

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